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sexta-feira, 30 de março de 2012

Povo da Fúria vai virar E-book


Bom, gostaria de dizer aqui que o Povo da Fúria, história de minha autoria publicada neste blog regularmente, não vai mais aparecer aqui em sequência pois vai virar um e-book.


Estou na fase final dos testes, e também indo atrás das licenças adequadas para registro da obra.


Para quem anda acompanhando as histórias de Toul e Jekita, o bacana vai ser dizer que não vão mais precisar ficar esperando os tópicos serem colocados semana a semana. Para aqueles que lêem esporadicamente mas perderam o inicio, vão poder ler a o material na integra.


Este e-book vai se tornar minha primeira experiência com publicações e com direito autoral, espero que vocês gostem. A principio o e-book vai ser comercializado, mas deverei deixar todos os capítulos já escritos no blog, autorizados para leitura em sequência. Obviamente se você quiser ver o fim da história teremos que negociar, hehehe.


Estou também reformulando o contexto. Originalmente a história se baseou em personagens e locais registrados pela Wizards of the Coast. Eu irei reescrever o contexto dando origem a um cenário inteiramente novo, mas não esconderei que tomei como inspiração o mundo de Forgotten Realms, afinal foram anos jogando RPG e esta experiência apenas agrega.


De todo modo quis compartilhar a notícia com vocês. Abaixo seguem algumas imagens do material já diagramado, do lay out da capa, mas ainda é início, tem muita coisa pra fazer e ajeitar. 


Ainda não tenho data definida de conclusão do material, mas devo evidentemente ir informando aqui pelo blog.




quinta-feira, 1 de março de 2012

Povo da Fúria Cap 7 Seq 4


Povo da Fúria Cap 7 Seq 4    
            
                - Podemos dar a volta? – Igor um dos jovens sobreviventes ao ataque perguntou a Toul que jogou o olhar a Alan para que o batedor respondesse.
                - Sim, mas isso levaria um dia todo, e com isso corremos o risco de chegar em Mulptan em meio ao cerco dos orcs. Pior seria ainda se cruzássemos nesse meio tempo com os batedores deles.
                - Podemos voltar para Taporan? – Igor voltou a perguntar, enquanto seus olhos mantinham vigia sobre o acampamento orc. Eles se aproximaram perigosamente do acampamento se arrastando sob os arbustos.
                - Poderíamos. Mas como saber se estes orcs já não tomaram Taporan. Aposto que os arcanos vermelhos estão por trás disso. Não meus amigos, temos de encontrar um jeito de atravessar essa linha de brutos e nos juntarmos a nossos compatriotas em Mulptan. – Toul falou com veemência.
                - Você enlouqueceu? Como vamos passar por eles? – Igor voltou-se assombrado com a idéia de ter que enfrentar os exércitos orcs.
                - Eu não sei, - o jovem líder bárbaro foi sincero – mas temos que pensar em algo e urgente. Jekita o que você acha?
                A jovem não respondeu seus pensamentos estavam absortos, ela nunca vira uma concetração tão grande de guerreiros. Orcs então era a primeira vez. Desde pequena ela ouvira histórias sobre estas criaturas horrorosas que atacavam e pilhavam aldeias, ouvira histórias sobre os ataques thayanos e sobre os orcs que estes comandavam, mas nunca em sua mente tinha imaginado algo que se aproximasse dessa realidade.
                A jovem apenas olhou para Toul, um olhar perdido e sem resposta, e então voltou a admirar o acampamento inimigo.
                Dezenas de luminárias iluminava centenas de guerreiros orcs que dançavam ao redor de três fogueiras principais, podia se ver que alguns deles estavam realmente extasiados talvez até bêbados, mas a grande maioria estava ávida por sangue.
                Protegidos pela colina os jovens podiam contemplar os orcs que pareciam um bando de formigas devido a distância segura. Após um longo tempo de observação os jovens se arrastaram de volta para o seu acampamento. Jekita foi a última a voltar, ela forçou os olhos para identificar os postos e a hierarquia dos orcs. E na procura por indivíduos ela teve a impressão de ter vislumbrado um corpo feminino entrar em uma tenda.
                Determinada a descobrir quem entrara na tenda ela firmou os olhos na direção e quase se arrastou em meio ao acampamento quando uma mão forte segurou sua perna. Voltando-se num susto ela viu o rosto firme e decidido de seu primo.
                - Vamos. – ele disse afrouxando o aperto.
                A jovem suspirou dando uma última olhada para o acampamento e então arrastou-se de volta para junto de seus companheiros.
               
                               *             *             *             *

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Povo da Fúria - Cap 7 - seq 3.


Povo da Fúria - Cap 7 - seq 3.

               Uma grande correria tomou conta das ruas de Mulptan. Mulheres com seus filhos no colo procuravam freneticamente a segurança de seus lares. Homens  se armavam e postavam de forma a defende-las e uma centena de furiosos se posicionavam na enorme murada de pedra que protegia a cidade mercante.
                Gritos de ordem e de alarme se faziam ouvir durante vários momentos, enquanto os capitães rashemis de Mulptan organizavam suas defesas. Bem sobre os grandes portões de entrada da cidade havia uma grande marquise em forma de arco que liga uma ponta a outra da enorme murada. Sobre ela se encontrava Ukligrum, o Multrong ou o Lorde do Leste, título do governante da cidade concedido pelo próprio Lorde de Ferro.
                Cercado por cinco de seus principais guerreiros o homem de meia-idade e de corpo escultural observava a situação. Ao longe por trás das colinas, a fumaça de um grande acampamento se erguia, e ouvia-se os gritos de urras de quem a estava conduzindo: orcs.
                O que mais chocava Ukligrum era o fato de que os orcs conseguiram se aproximar tanto sem serem notados. Principalmente por Mulptan ser uma cidade mercantil e estar praticamente sempre repleta de movimento; pessoas entrando e saindo da cidade. Para o líder da cidade só havia uma explicação: magia, e com isso em mente ele só conseguia ver um único inimigo capaz de um gesto como esse: thayanos.
                - Posicione os arqueiros sobre o alambrado, diga aos guerreiros para se armarem de seus machados, lanças e halabardas e só atacarem se os orcs ameaçaram nossa murada – ele falou sem tirar os olhos do horizonte. A ordem foi direcionada a Folim, seu braço direito, um homem alto e magro de rosto limpo e sem a barba que a maioria dos rashemis ostentava.
                Folim pegou seu arco e ergueu-o no ar e sem postar uma flecha tencionou-o testando o horizonte.
                - Os orcs vão precisar estar muito perto se este vento não parar de soprar meu senhor – ele falou num tom de voz sombrio, abaixando seu arco.
                - Também já  notei. A proximidade do inverno fez o ar tornar-se carregado, os ventos aumentarem e a noite chegar mais cedo. Os orcs escolheram um bom momento para atacar. – o Multrong continuava a fitar o horizonte – Mas esse mesmo fator ainda pode ser um favor para nós. – Ele finalmente voltou-se para encarar seus homens. – Se conseguirmos segurá-los tempo suficiente o rigor do clima os fará recuar.
                - Sinto dizer que discordo meu senhor – a voz do segundo em comando saiu rouca e quase um sussuro enquanto ele baixava sua cabeça evitando os olhos de seus companheiros, mas suas palavras foram ouvidas e todos olhavam para ele. Folim respirou fundo e completou – Receio meu senhor que estes orcs tenham decido das Montanhas Icerim, o mau tempo, o frio e o vento, são comuns a eles.
                - Das montanhas Icerim? – O lorde perguntou incrédulo observando mais uma vez o horizonte. – Como podem ser daquelas montanhas? Os Thayanos não possuem base lá, e aqueles orcs nunca mais se uniram sob uma única bandeira desde que as guerras dos portais orcs aconteceram.
                - Senhor, - Folim falava devagar, cada palavra parecia uma sentença de derrota – os tambores, as canções e os sinais de fumaça não são de orcs subjugados ou sob os domínios do magos vermelhos.
                Ukligrum, observou atentamente seu fiel companheiro, ele aprendeu a dar ouvidos aos conselhos e aos olhos observadores desse patrulheiro experiente, mas então um enorme sorriso se abriu.
                - Bom, se eles não são orcs liderados por magos vermelhos, então são apenas orcs. – Com uma gargalhada contagiante ele concluiu – Pelo jeito teremos um pouco de diversão antes do inverno. Vamos posicionar os guerreiros. – Ukligrum concluiu e com isso iniciou o pocisionamento de suas defesas na cidade.
                Folim sorriu mas antes de acompanha-los deu uma última olhada para o horizonte e apesar de não falar nada pensou: “Ainda assim, como foi que eles chegaram assim tão perto, se não foi por proteção dos arcanos?”. Os pensamentos do ranger se encheram de temores mas ele não passou-os adiante para seu chefe ou seus aliados, ele não queria abalar a moral deles. Mas em seu interior o homem sabia que quando aqueles orcs marchassem contra seus portões a luta não seria tão fácil, muito menos divertida.
                Quando ele voltou-se para acompanhar seus companheiros Folim encontrou seus olhos com o de seu lorde e soube imediatamente que seu superior partilhava exatamente das mesmas preocupações.
                Nesse momento tudo o que Folim desejou era ter um homem dentro das fileiras orcs, para descobrir seus planos e desmoronar suas fileiras.

                               *             *             *             *

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Povo da Fúria - Cap 7. Seq. 2

As horas de caminhada até Immilmur acabaram por se tornar as mais longas nas vidas dos jovens sobreviventes a emboscada.
                Observando com atenção o caminho desenhado em um mapa que encontrava-se em um dos corpos sem vida de um dos tutores, Toul pode analisar e ponderar sobre sua localização. Faltava menos de uma hora para os jovens chegarem a Mulptan, a primeira parada da comitiva. Lá Toul esperava encontrar furiosos para quem reportar o que acontecera e principalmente sobre quem eles estavam levando consigo.
                Mas as enormes manchas de fumaça que ele avistara no céu na noite anterior vindo de regiões próximas despertou em muito sua curiosidade. Ele ordenara que Alan, um dos bárbaros sobreviventes da tribo e conhecido por ser um ótimo corredor fosse dar uma olhada em quem pudesse estar  acampando por trás das colinas que antecediam a cidade para qual os jovens estavam se encaminhando.
                Com freqüência o jovem bárbaro olhava para o horizonte esperando pela volta da amigo. Normalmente o sinal de uma acampamento seria convidativo, mas o encontro com o arcano e o ataque no caminho fizeram com que o jovem se torna-se cauteloso.
                Havia alguma coisa errada e ele não sábia o que. Para completar Jekita que sempre lhe acompanhava e aconselhava estava cabisbaixa e pensativa. O jovem acreditava que a perda de tantos amigos em único e fulminante ataque pudesse ter abalado a confiança da jovem, mas Jekita tinha pensamentos mais sombrios habitando sua mente.
                A jovem observava o mago vermelho com curiosidade tentado descobrir o que estava se passando. Era óbvio que o mago era algum peão menor em alguma trama, alguém que levara a pior em algum combate, mas Jekita não acreditava que esses agressores seriam Rashemis. Tanto os bárbaros quanto as bruxas simplesmente não o teriam deixado solto no reino. O simples ataque, tão devastador, mostrava que aquele homem tinha algum tipo de importância. E o que mais desmoralizava a jovem fora a falta de confiança e o temor que ela tomara das bruxas.
                Jekita sempre considerou o fato de que uma bruxa segue caminhos diferentes, afinal o esforço para a compreensão de uma magia ou a dedicação a um deus para receber seus benefícios não vinham sem nenhum custo.
                Mas falta de escrúpulos?
                Percebendo que o arcano acordava ela se aproximou dele.
                - O que você sabe que é tão precioso a ponto de valer nossas vidas? – A jovem falou com uma voz firme e autoritária.
                - Nada que valha sua vida, ou o esforço de tentarem me levar para seus líderes. – o arcano replicou, entre soluços e pausas causadas pela dor e cançaso que dominavam seu corpo.
                - Não me venha com sarcarmo, cão! – a jovem ameaçou – Ou pelos deuses juro que o julgamento mais justo que vai ter vai ser a ponta de minha lança atravessando seu corpo.
                Ikal não respondeu, apenas sorriu. Um sorriso de desdém de quem não se importava. Ele estava marcado para morrer, não importa o que fizesse ele não tinha para onde ir nem para onde voltar, ...então, porque ajudar a bárbara? Na verdade se ela acabasse com ele, estaria lhe fazendo um favor.
                O olhar do mago confirmou os pensamentos da jovem, ele era uma marionete condenada. Os magos eram conhecidos por sua crueldade e sua força de vontade, eram também conhecidos por tentar a todo custo barganhar por sua vida quando ameaçados e sem saída. O homem, se é que podia se chamar de homem o jovem mago que parecia não ter ainda vinte anos de idade, havia perdido o desejo pela vida, estava conformado com seu destino.
                Provavelmente ele era um condenado. Um criminoso qualquer, alguém que deveria ser simplesmente eliminado.
                Mas o que não se encaixava fora a tentativa de assassinato, cruel e sem precedentes que os jovens presenciaram. Rashemis matando rashemis? Jekita sabia que o mago não iria lhe dizer nada, o fato de ele não ter mais chances de vida,  não acabara com sua maldade. Para ele o simples fato de os deixar na ignorância já o deliciava.
                O mago era importante sem dúvida nenhuma. Ela fechou seu rosto numa expressão fria e vazia, se pudesse ela eliminaria o arcano ali mesmo, mas ele possuía informações realmente valiosas consigo, e ela estava certa de que no momento oportuno iria descobrir, mais cedo ou mais tarde.
                Os passos apressados que ecoaram de volta chamou a atenção da jovem e dos demais membros do grupo. Toul precipitou-se para ver que noticias seu amigo Alan trazia pois era ele quem surgia apressadamente entre as moitas que lhes protegiam naquele anoitecer.
                O jovem gritou a todo pulmão, deixando o restante do grupo atemorizado.
                - Orcs! Centenas deles! Acampados a menos de meia hora daqui!

                               *             *             *             *

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Povo da Fúria - Cap 7. Seq. 1

Capítulo 7

Os Portões de Mulptan

                Erguendo seu machado com poderoso e musculoso braço acima da cabeça, Etrinny Esmaga Cabeça, gritou salvas para seu deus, Grummsh, o pai todo poderoso da raça orc.
                Instantaneamente milhares de outras vozes do enorme exército orc ergueram-se para juntarem-se a de seu líder. Eles bradaram com fúria e iniciaram cânticos de guerra. Assim que os tambores tribais dos Omonis, os bardos orcs se calassem seria hora de atacar.
                Etrinny sentia seu sangue ferver, ele conseguira reunir cinco tribos brutais: os esmaga cabeça, os fedor de medo, os limpa cadáveres, os grandões e os filhos da pedra, todos sob seu comando.
                Era mais do que hora de seu povo recuperar suas terras roubadas pelos detestáveis humanos. Porcos imundos sem honra que roubavam e matavam as crianças orcs, aliados de elfos e amigos dos miseráveis anões. Nada enfurecia mais o enorme guerreiro do que a simples visão de um humano. Os guerreiros que eles iriam enfrentar, especialmente os furiosos: eram conhecidos por seu fervor nas batalhas, mas não era de braços fortes que os orcs tinham medo. As bruxas de Rashmen sempre lutaram junto de seus guerreiros e juntos eram um inimigo terrível.
                Os poucos shamans orcs nunca foram páreos para as bruxas, e com isso o povo de Etrinny teve que se contentar com as montanhas Icerim. Vivendo sob condições terríveis nesse duro habitat, tendo que combater gigantes, remorazhes, e vermes do gelo os orcs das Montanhas Icerim tinham se tornado guerreiros tão cruéis quanto o clima imutável destas montanhas, que eram hoje seu lar.
                Acostumados e conformados com seu destino eles continuariam assim por centenas de anos, em suas terras congeladas, mas o ressurgimento de seu grande líder, vindo diretamente dos mortos e trazendo consigo o imenso machado do rei orc, Sity, uma arma descomunal criada com o propósito de exterminar anões e perdida há muitos séculos, os orcs se reuniram novamente. Liderados por Etrinny Esmaga Cabeça, o orc que fora morto por um enorme yeti no inverno passado, ressurgiu a três luas atrás e reuniu as forças orcs mais expressivas sob seu comando.
                A simples presença do rei morto já seria o suficiente para incitar uma moral tão grande nos orcs que seria impossível para um exército de gigantes não sofrer grandes baixas ao enfrenta-los. Apenas o conceito de ressurreição dentre os orcs já era mais do que eles esperariam para se incitar motivação a raça. Aliado então a posse da poderosa arma mágica que surgiu de tempos imemoriais nas mãos de um rei outrora morto, mas agora ressurgido e reforjado, fez dos orcs de Icerim, verdadeiras criaturas sedentas pela guerra.
                Todos se encontravam numa fúria sinistra, gritavam e apontavam suas armas para o sul em direção as terras de Rashmen prometendo morte, fazendo juras de destruição.
                Pois como se não bastasse seu rei e sua poderosa arma, os orcs também não temiam mais as bruxas, pois elas agora estavam do seu lado.
                Etrinny após longos momentos bradando, baixou seu braço e admirou seu exército. Desceu da enorme rocha em forma de pedestal e atravessou o número dos seus enquanto a música dos Omonis continuava forte. Hoje haveria canto a noite toda, e quando os raios do sol chegassem a beirada da montanha eles marchariam rumo as terras humanas. Atravessando as longas fileiras de orcs ele se dirigiu para sua tenda armada com pele de yetis, onde acima dançava com o vento o banner com o desenho de um punho esmagando uma cabeça, seu símbolo. Alegre ele afastou as camadas de tecido sujos que eram a porta de sua enorme tenda e adentrou até sentar-se em seu trono feito de madeira maciça ornamentado com cabeças de yetis em cada extremidade delas.
                O orc enorme sentou-se e acariciou as caveiras pensativamente.
                - Minha primeira ação quando voltei dos mortos foi acabar com esses macacos brancos que ousaram me matar. Mas agora acho que já posso aumentar meus enfeites. Quero cabeças de bárbaros. Quero rashemis enfeitando minha tenda. – ele falava em voz alta consigo mesmo, até o momento em que seus olhos captaram o movimento na tenda, ele silenciou-se. Segurando o machado ele levantou-se e deu dois passos na direção das visitas. Ele olhava-as com ódio. Então subitamente ergueu seu enorme machado e tentou acertar um golpe no visitante, mas antes de conseguir desferir o ataque foi tomado por dores violentas. Ele se contorceu de dor e se afastou rosnando. O olhar nobre do orc foi substituído por ódio.
                - Toda vez você tenta a mesma coisa, toda vez eu me delicio mais com sua estupidez, orc. – a voz da mulher soou como se milhares de adagas atormentassem seu corpo – Você foi ressucitado apenas para nos servir, cão. Nada mais. Sua arma lhe foi dada para que você conseguisse respeito dos seus, e acreditamos que acertamos. – A mulher se dirigiu até a porta e abriu a tenda. Do lado de fora a comemoração orc era um evento digno de ser visto, embora fosse aterrador.
                Um guarda orc viu a máscara da bruxa e fez um sinal de subvertência.
                Ela fechou as portas da tenda.
                - Amanha quando lançar seu ataque contra a primeira cidade rashemar que encontrar orc, minhas irmãs reforçarão suas fileiras. Espero que não me decepcione, eu gastei uma grande energia para traze-lo de volta a vida.
                O rei havia se recomposto, ele observou com seus olhos em fúria a mulher, metade do seu tamanho se pocisionando a sua frente. Ele a odiava por ter lher trazido de volta a vida, ele a odiava por ela ser uma humana, ele a odiava por ela ser uma bruxa de Rashmen, ele a odiava por não conseguir mata-la.
                A mulher se afastou da tenda e de lugares onde o rei-orc acreditava estarem vazios, pelo menos outras oito mulheres saíram e seguiram sua líder. Elas podiam ficar completamente fora da visão. Isso perturbou os pensamentos do rei orc imensamente. Olhando para os lados e tremendo como uma criança, ele sacou o machado e caminhou para fora da tenda. Em seus pensamentos Etrinny acreditou que estaria mais seguro e menos vigiado longe daquele lugar.
                Se o rei-orc pudesse ter visto as outras quatro mulheres saindo das sombras de seu aposento, assim que ele saíra, ele teria certeza de que sua decisão de estar do lado de fora junto com seus guerreiros era a mais sensata.

                               *             *             *             *

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Povo da Fúria - Cap 6 - Seq 3

O ataque no templo de Mystra não podia ter causado mais danos as bruxas. Uma relíquia secreta havia sido levada do templo que era guardado a sete chaves. Havia um grande tumulto entre as mulheres que caminhavam sem parar e falavam exaltadas no templo. Também era evidente ver estampadas nelas o medo, acompanhado de uma grande tristeza.
                As irmãs gêmeas tentavam angariar o máximo de informações possíveis mas eram relevadas devido a seu baixo posto. Foi quando a tutora de sua ordem adentrou o recinto que ela relaxaram. Mas logo o ambiente ficou tenso, era óbvio para as garotas que as bruxas trocavam acusações entre si, aparentemente uma discórdia muito grande havia se plantado entre suas líderes.
                Em local afastado de portas duplas fechadas a discusão era intensa e acolorada.
                - Kitybana – a voz firme da mulher de vestes azuis imperava na sala. – como seu grupo deixou isso acontecer? Nós esperávamos esse ataque desde que trouxemos a relíquia para cá.
                - Não levante a voz comigo Ursula. – exclamou a mulher de vestes laranja. – Por incontáveis vezes nós simulamos ataques a este templo e sempre nos preparamos para defende-lo. Mas nunca imaginamos o inimigo que iríamos enfrentar!
                - O que você afirma é uma insanidade. Nenhuma das irmãs iria ser capaz de causar tal heresia. – As palavras saíram em gritos exaltados da voz de Kitybana uma maga de grande poder que era capaz de convocar a ajuda dos deuses e inclusive curar amigas feridas.
                - Talvez não seja como você pensa irmã. – uma voz suave adentrou a sala surpreendendo as duas lideres. Apesar de quase um sussuro o simples adentrar da voz fez com que ambas encerrassem suas discussões e fizessem uma mesura em sinal de respeito.
                - Lady Ilza. – ambas exclamaram respeitosamente.
                - Nem todas entre nós pensam da mesma forma. – a mulher foi caminhando e se interpôs entre as líderes e com um sinal as retirou de seus códigos de formalidades. – Muita coisa aconteceu nesses últimos anos, e algumas de nós não são o que a maioria pensa.
                - Com todo o respeito Milady, todos sabem sobre as Durthans, mas não creio... – Kitiybana foi interrompida com um aceno de mão por sua líder.
                - Elas se organizaram, irmã – a voz de Ilza soou triste e quase inaudível. – Sempre quando uma hathran se desviava de seu caminho, ela era afastada de sua conduta e tornava-se uma Durthan, uma bruxa renegada. Elas sempre agiram isoladas, mas agora minhas irmãs, elas agem em conjunto, lideradas sob um mesmo baner. E pelo que descobrimos em saques recentes no castelo, seus números são cada vez maiores. Bruxas que nós mesmos as Hatrans formamos estão se desviando do caminho do bem e se tornando fortes. Elas se reúnem em nossas casas, nossos templos, nossas florestas. Sim, Úrsula você disse bem. Por anos nós nos preparamos para enfrentar muitos inimigos, mas nunca imaginamos que um dia ele iria estar dentro de nossos portões, comendo nosso alimento e sendo criado por nós. E o pior é que sinto um poder malévolo crescendo e adentrando nosso reino. Uma sensação tão estranha e febril, como se o mal estivesse se encarnando em nossa própria terra.
                As palavras tiveram um efeito devastador em todas as bruxas presentes na sala. Nenhuma delas podia conceber o tamanho da corrupção que se escondia dentre elas.
                - Mas como podemos descobrir as traidoras? O que podemos fazer? A relíquia certamente tem que ser encontrada. Se Durthans possuem a relíquia elas possuirão um poder muito grande do seu lado para que nós possamos combater.
Milady nós simplesmente não temos força para combater Thay e uma rebelião interna. – As palavras de Úrsula soaram como uma súplica.
                - Não, nós não temos. – a sentença de Ilza foi desmoralizadora. – no entanto, existe uma esperança. – A mulher não explicou o que ela acreditava ser uma esperança mas teve os olhos por trás da máscara presos nas portas fechadas do salão, por alguns instantes algumas as bruxas tentaram ver o que a líder observava mas só conseguiram ver as portas que as separavam do tumulto do outro lado.

                - O que você acha que está acontecendo? – Luthy perguntou. - Você não consegue tentar descobrir?. - Anna fechou os olhos se concentrando e de repente abriu-os com um susto. - O que foi? – Luthy perguntou ansiosa.
                - E-Ela está olhando para nós!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Povo da Fúria - Cap 6 - Seq 2

A taverna Crina de Grifo se encontrava em uma rua principal da grande cidade murada e protegida de Emmech. Situada no reino próspero de Aglarond e governado com sabedoria pela grande feiticeira Simbul. A cidade era uma das maiores, mais bem protegidas e respeitadas de todo o mundo de Faerun.
                O reino de Aglarond fazia divisas com Thay e o Mar das Estrelas cadentes, além de outros reinos é verdade. Mas eram este o que costumeiramente mais preocupava qualquer aglarondano. Principalmente Thay, o grande reino inimigo dos povos do leste. Aglarond era protegido de tantas e tantas formas possíveis e inimagináveis que seus inimigos muitas vezes mal conseguiam saber como um reino tão grande e vasto podia realmente existir.
                No entanto essas mesmas defesas que poderiam derrotar um grande exército, tinham suas falhas. Como em qualquer lugar, mestres de disfarces, poderiam passar despercebidos pelos portões e escapar aos olhos atentos de seus guardas.
                Nessa noite em frente a taverna de três andares, de construção gótica antiga, a chuva fria que antecedia a chegada derradeira do inverno caia de modo torrencial, relâmpagos cruzavam os ares por diversas vezes fazendo com que as pessoas esvaziassem as ruas. Talvez por isso as casas noturnas que abrigavam tantas pessoas estivessem tão cheias.
                Zylmir Mão Espelhada era um anão taciturno, gostava de companhia e adorava uma boa cerveja. Sua barba longa e ruiva frequentemente se mixava  com um caminho feito de pura cerveja que escorria por seus lábios. Limpando a barba com a palma de sua mão o anão soltou um longo e orgulhoso arroto. Seus olhos pesavam e ele estava tão feliz com o pagamento que recebera do delegado da cidade pela captura de um ladino perigoso que ele nem se importava com o aglomerado cada vez maior de pessoa que adentravam a taverna.  Volta e meia ele observava ao redor para conferir apenas se seu amigo encapuzado se encontrava próximo. Analisando a figura soturna e se certificando de que ele ainda se encontrava  a seu lado, o anão gritou por outra caneca de cerveja e alegremente bateu com o punho cerrado sobre o balcão fazendo tinir sua armadura reluzente de cor azulada.
                O martelo que caia das costas do incauto anão foi recolhido aquela noite pela octogésima vez por seu companheiro que com um suspiro pensava toda vez. “o que seria desse rabugento sem mim?”. Leonico Pêlo de Lince, acompanhava o anão havia um ano, ele tinha uma dívida de sangue para com o atacarrado amigo. Zylmir salvara o encapuzado da morte quando este fora surpreendido uma noite por um bando de ogros, rendido rapidamente para sua sorte os ogros não eram os únicos a vagar pelas florestas naquele dia. O anão os seguia de perto, era um caçador de recompensas e quando a oportunidade surgiu atacou suas vítimas com afinco.
                O fato do anão ter salvo Leonico em sua trajetória foi mero acaso, mas o fato que se sucedeu parece ter sido obra do destino. Preso a suas leis e códigos o jovem ofereceu proteção a vida do anão até que sua divida de sangue fosse paga. Zylmir odiou a idéia e se cançava constantemente do fato de ter o jovem de cajado de penas o seguindo constantemente, e frequentemente se irritava e ralhava com ele. Para sua surpresa apesar de seus cotidianos maus tratos o jovem não se intimidava, discutia, fazia frente as ameaças do anão e o seguia por onde quer que ele fosse.
                Com o passar dos últimos seis meses, desde que se conheceram, a personalidade marcante do jovem fez com que o anão o respeitasse cada vez mais. E chegou a tal ponto que apesar de Zylmir negar o fato veemente o anão não conseguia mais se ver nas ruas sem seu estranho companheiro.
                O jovem Leonico apreciava a companhia do anão, ele era uma pessoa carrancuda e resmunguenta que poderia facilmente ser rotulado como um espanta-amigo, mas a convivência de ambos nos últimos meses fez com que uma forte amizade e respeito mutuo surgisse entre eles. De fato tanto um quanto outro apreciavam demais a parceria criado com o acaso.
                Gritos de êxtase tomavam o ar da taverna naquela noite e a multidão de homens e mulheres se esbaldavam de tanta alegria. Mas o jovem amante das florestas não compartilhava o estranho gosto das pessoas da cidade e mantinha-se calmo e calado. Mas seu comportamento era uma exceção. Uma exceção tão grande que quando ele observou um outro grupo de pessoas agindo exatamente como ele, algo lhe pareceu extremamente errado.
                Desde menino, Leonico aprendeu a observar sinais, dentro de uma floresta um simples ramo quebrado era um livro inteiro com as mais diversas histórias. A cidade apesar de não ser exatamente o modelo de lar que um druida apreciasse também revelava sinais semelhantes aos da floresta por vezes. O jovem simplesmente não conseguia tirar os olhos de um grupo de pessoas que se localizava no anteposto do grande salão. Três homens, provavelmente mercadores pelas vestimentas se mantinham em silêncio e analisavam o salão enorme da Crina do Grifo. Apesar de saber que qualquer pessoa tinha direito a manter-se a vontade em qualquer situação o comportamento dos mercadores era atípico, principalmente em uma noite tumultuada como aquela.
                Mantendo seu capuz o mais baixo possível o protetor das florestas começou a estudar o grupo com freqüência tomando o cuidado para não se revelar nem para perder de vista seu amigo anão, que para infelicidade do jovem também notou o que intrigava o druida e exclamou deixando o jovem totalmente desconcentrado.
                - Que que cê ta olhando guri? Porque não toma uma cerveja uma vez na vida e vira o homem que seu pai queria que você fosse!
                A voz alta e embriagada do anão chamou a atenção de várias pessoas na taverna inclusive de quem não devia. Os três mercadores de imediato perceberam o interesse do jovem neles e trataram de se afastar de suas vistas. Leonico teve vontade de esmurrar o anão. Ele virou-se rapidamente querendo dar um sermão no anão mas encontrou este o observando seriamente.
                - Que que foi? Que que há? Vai beber uma cerveja ou não? Porque você não deixa de ser um maricas uma única vez? – o anão falou com segurança e com deboche.
                O jovem preso ao seu juramento deu de ombros e falou com voz suave após se controlar e acalmar-se.
                - Aquelas pessoas que se afastaram. Eles não eram mercadores.
                - Como que você sabe? Pra mim eles não pareciam ogros, nem goblins. Porque você não bebe, vai? Só um golinho. De que adianta a gente vir para uma taverna se o meu companheiro não se diverte nem um pouco?
                Após seis meses de convivência aquela fora a primeira vez que Zylmir pareceu falar alguma coisa que não fosse um chingamento. O comentário embora de tom grosseiro pegou o druida de jeito. Ele acabou relaxando e pela primeira vez desde toda sua vida pediu uma cerveja.
                O anão berrou de alegria e abraçou o jovem com força num ato tão instintivo que fez o druida corar. Foi a primeira demonstração de afeição que o caçador de recompensas lhe apresentara.
                Apesar de feliz e mais falante do que de costume Leonico ainda procurava pelos mercadores na taverna, agora tomando cuidado redobrado para não ser notado.
                Horas se passaram e a frustração tomou conta do jovem que já se encontrava demasiadamente embriagado. Aquela bebida rashemi que ele havia provado, mesmo poucos goles, se mostrou muito aquém do que ele poderia agüentar. Os sentidos do jovem druida estavam no fim, a sala girava e o anão desdobrava-se de tanto rir aparentemente dele que não fora forte o suficiente para encarar a bebida.
                - Pelo menos você iniciou seu caminho garoto. – o anão gritava entre uma gargalhada e outra.
                A noite no Crina de Grifo se mostrou uma verdadeira prova de fogo para o jovem druida, mas estava simplesmente magnífica para o povo que festejava, até o momento em que um forte relâmpago iluminou as janelas e com estrondo ensurdecedor fez o silencio reinar por alguns segundos.
                Em seguida refeitos do susto todos reiniciaram suas piadas, cantorias e danças. Apenas Leonico, preso entre a realidade e a enganação que o álcool lhe empregara, tentava se concentrar repetindo:
                - Não é natural. Não foi natural. Não foi um relâmpago natural. – Ele balbuciava.
                O anão observava o jovem intrigado se deliciando em ver como uma bebida alcoólica consumia alguém que não era acostumado com ela quando com o canto dos olhos, percebeu um grupo estranho de mercadores aparecer.
                Mais atento do que realmente parecera ser o anão se fixou nas pessoas que adentraram o recinto e ignorando qualquer pessoa abriram caminho para o segundo andar da taverna.
                Semi cerrando os olhos ele grunhiu:
                - Talvez você esteja certo guri tem alguma coisa errada aqui.
                - Sim. Os mercadores vão se encontrar no segundo andar, olhe. -  o jovem apontou na outra direção e viu que os outros mercadores se direcionaram também a uma escadaria no segundo andar da taverna.
                - É mesmo. Espere ai...você não...- o anão voltou-se e encontrou o jovem druida completamente recomponsto.
                - Ei! Você não está bêbado. -  o anão acusou.
                - Não. Tive que pensar em alguma coisa quando você me entregou para eles, aparentemente deu certo porque os mercadores me esqueceram. Agora. O que você viu de errado nos mercadores que entraram?
                - Tem chuva lá fora não tem? – Ele perguntou e teve apenas um olhar de confirmação do druida – Pois bem, eles entraram... sequinhos.
                - Acho melhor nós darmos uma espiada no segundo andar. – o druida falou enquanto observava os mercadores sumirem nas escadarias.
                O anão soltou uma gargalhada gostosa cheia de êxtase confirmando a opinião de seu companheiro.

                               *             *             *             *

sábado, 30 de julho de 2011

Povo da Fúria - Cap 6 - Seq 1

Capítulo 6

Emboscada

                Com as mãos apertadas por uma corda de cânhamo, incapaz de andar e visivelmente debilitado o prisioneiro thayano era arrastado pela turbe de jovens guerreiros. Os rashemis cantavam felizes pois iam de encontro a seu primeiro dia como guerreiros furiosos da bela capital de Immilmur e para sua sorte encontraram no caminho um de seus mais terríveis inimigos, um arcano vermelho.
                Jekita e Toul assim como muitos de seus companheiros de viagem nunca haviam visto um thayano. Estes homens cruéis habitavam apenas as histórias mais obscuras dos jovens de Rashmen. Ambos conheciam a descrição dos arcanos, mas ver um deles de perto era algo incrivelmente estranho. Especialmente o prisioneiro, muito fraco e aos olhos de Toul uma pessoa incapaz de se defender quanto mais de ameaçar seu país.
                A prima do jovem bárbaro se aproximou do mago com cautela e fitou o mago nos olhos. Apesar de visivelmente enfraquecido o aprendiz fitou a guerreira com altivez. O olhar frio e cruel do mago chamou a atenção da jovem que indagou:
                - Você não tem medo de morrer mago. Pelo menos alguma coisa de bom você parece ter.
                - Assim como você bárbara. – o mago cuspiu as palavras.
                - O que aconteceu com você? Foi derrotado por algumas de nossas senhoras enquanto espionava nossas terras e acabou se perdendo?
                - Ah, claro. Devo ter fugido como um cão com o rabo entre as pernas. – Ikal falou, sua voz saia difícil por causa do cansaço.
                Jekita observou o mago intrigada, havia algo nele que ela não entendia, algo naquela cena que não estava certo. Mas a jovem não teve tempo de continuar seu interrogatório, pois do final da comitiva um grito assustador colocava todos os jovens da comitiva em alerta.
                Um dos guerreiros que se encontrava por último na turbe caiu com sua cabeça ensangüentada sendo corrosida por alguma coisa fétida e verde.
                Logo outro grito ainda mais assustador se fez ouvir quando flechas de fogo incendiaram a carne dos jovens que se encontravam nos flancos do grupo. Gritando por ordem, os tutores tentaram reagrupar os jovens mas não conseguiram completar suas ordens. Suas bocas se contorceram em gritos de dor enquanto novas setas de chamas atravessavam seus corpos e incendiavam seus pertences.
                Respondendo ao perigo com reflexos acima de sua idade, ambos os primos sacaram suas lanças e armando seus escudos se posicionaram para receber  o ataque dos agressores.
                Em minutos ficou claro para o jovem bárbaro que quem quer que estivesse atacando-os estava atrás do arcano. Pegando o mago pelo pescoço ele fez menção de pedir para que os agressores cessassem o ataque em troca da vida do mago. Mas o arcano foi atingido por uma seta de fogo que lhe queimou o ombro direito.
                Era óbvio para os jovens que o arcano era importante. Arrastando-o para trás de uma pequena colina eles apagaram as chamas que iniciavam seu caminho por entre as vestes do jovem e o salvaram da morte certa.
                Os agressores em seguida, tendo acreditado que o mago estivesse morto desapareceram no interior da floresta.
                Quando os jovens se reagruparam observaram com horror o tamanho do ataque, mais da metade deles havia perecido no ataque incluindo seus tutores. Immilmur encontrava-se a apenas um dia e meio de viagem a frente, mas os próximos minutos seriam intermináveis para os jovens.
                - Quem eram? Eram seus comparsas? – Toul gritava apontando a lança ameaçadoramente para o jovem mago, mas Ikal encontrava-se terrivelmente ferido para conseguir responder. Ele mal conseguia falar.
                - Vamos matar esse porco de uma vez! – gritou um dos jovens bárbaros.
                - Não! – Toul disse com voz firme, seus olhos queimando de ódio – Ele irá conosco para Immilmur. As bruxas saberão o que fazer com ele. Vamos. – o jovem ordenou e retornou o caminho para Immilmur liderando o restante do grupo, após ter certeza de que o caminho estava seguro.
                Olhando para trás o jovem observou irritado sua prima e gritou com ela. – Vamos Jekita! Ande!
                A jovem levantou-se do local onde encontrava-se, vagarosamente, a lança sendo arrastada por sua mão, assim como seu escudo. A jovem caminhava pesarosa ao lado de seus amigos, ao longe ela observava incrédula o mago thayano que era arrastado por seus amigos. Ela não conseguia entender  quão valioso podia ser um inimigo como aquele a ponto de custar a vida de seus amigos. Pois quem atacou o seu grupo não conseguiu escapar dos olhos atentos da jovem. E ela ficou perplexa quando se aprontava para lançar sua lança em um inimigo que havia saído das sombras para lançar uma flecha de fogo em direção do grupo de jovens recrutas.
                Porém a jovem não conseguiu ir adiante.
                Pois seu inimigo, embora não a tivesse notado, ficou visível tempo suficiente antes de retornar para as sombras. Tempo suficiente para que Jekita reconhecesse o agressor com assombro.
                Uma bruxa de Rashmen.

                               *             *             *             *

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Povo da Fúria - Cap 5 - seq 3

            Lembrete: Atentem para o CAMPEONATO NACIONAL DE MINIATURAS.  


              Mulin que teve que se explicar com alguns dos chefes mais velhos da Casa do Lobo sobre o risco que correra entregando a pele do urso a Jurimik, estava aliviado com o bom comportamento do amigo. De fato quando os aldeões puderam admirar a obra-prima que se tornou o gibão do jovem Toul, todos esqueceram rapidamente do equivoco do líder do clã.
                Mulin encontrava-se com Jurimik colocando ordem nas mochilas de provisões dos jovens que partiriam naquela manhã. Ele ficou feliz de ver como Jurimik encontrava-se feliz orientando seu filho e sua sobrinha. Trocando um
                Quando os filhos de Taporan despediram-se de seus pais naquela manhã ouve muita cantoria. Houve mães que choraram por seus filhos, houve irmãos mais novos que faziam juras de encontrar seus irmãos mais velhos nos anos futuros, houve pais que observaram admirados seus filhos altivos e orgulhosos aceneram a distância.
                Jurimik e Toul apesar do abraço carinhoso não conseguiram dizer uma única palavra após o incidente entre todos no dia anterior, continuaram distantes um do outro. Eles trocaram um longo olhar em sua despedida, e por fim o filho sorriu e levantou seu braço forte mostrando sua lança em sinal de respeito por seu pai. Jurimik fez o mesmo com sua mão vazia.
                Logo a comitiva cruzava os portões da pequena aldeia e sumia pela estrada em direção a Immilmur. Quando ninguém mais podia ser visto a distância o taverneiro sentiu-se repentinamente terrivelmente só.
                Olhando ao seu redor e para sua vida ele acabou de perceber que todo o sentido para o que lutara e desejara havia se acabado.
                Um sentimento muito ruim apossou-se do taverneiro e ele adentrou sua cabana olhando com tristeza para os cômodos vazios. Então ele sentiu inveja de seu filho, pois ele agora iria desbravar as florestas, defender o reino, e ser guarda costas de uma bela bruxa. Talvez uma bruxa tão bela quanto a que Jurimik jurou proteger.
                O taverneiro apertou os lábios e se dirigiu para seu quarto.
                Ele atirou-se na cama de palha e descansou, como nunca havia descansado em toda sua vida.
               
                Os primos seguiam a frente da pequena comitiva. Não mais do que 20 pessoas, apenas quatro tutores acompanhando os jovens. Eles sonhavam com as torres de Immilmur e não paravam de pensar nas glórias vindouras.
                Após quatro horas de viagem calma e alegre a comitiva se deteve incrédula, pois a frente do grupo, algo completamente incomum se encontrava.
                Um arcano vermelho.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Povo da Fúria - Cap 5 - seq 2

               Os olhos dos primos cintilavam com raiva para o taverneiro, que puxava a canoa para margem da aldeia. Ambos viam claramente as peles esverdeadas que o taverneiro ocultava no interior da canoa e imaginavam estarrecidos o que ele havia feito com o seu prêmio angariado na caçada do dia do Dajema.
                - Eu não acredito no que você pode ter feito pai. Sua inconformidade com meus desejos pode ser tão grande a ponto de você destruir o premio merecido por mim e Jekita no campo de honra ?
                Jurimik teve vontade de esbofetear seu filho, tamanha foi a raiva que cresceu dentro dele, mas as ovações e chingamentos que ouviu da multidão ao seu redor, fez ele encolher os ombros e lembra-lo de que a situção fora criado por ele mesmo.
                Ano após ano ele tentou convencer seu amado filho a trilhar outro caminho ao invés do das batalhas, mas foi vencido pelo espírito absolutamente igual ao do próprio taverneiro em sua juventude.
                Mas o que mais doeu ao homenzarão foi ver o olhar de desprezo lançado a ele por sua sobrinha. Ela foi a última pessoa em Taporan que ele esperava olhar para ele daquele jeito. Era necessário desfazer o mal entendido logo.
                - Toul espere... -  mas antes que ele pudesse seguir com suas sentenças, suas palavras foram interrompidas pelo punho fechado e pesado de seu filho.
                O soco forte e violento seria o suficiente para nocautear um urso, mas o taverneiro não era um homem comum. Moldado nos campos de batalhas e privações o forte golpe do filho foi muito mais doloroso para seu orgulho do que fisicamente.
                Voltando vagarosamente o olhar para o jovem que estava sendo contido pela multidão, Jurimik lançou um olhar triste e cansado que lançou o jovem ao chão. Não preparado para o olhar vaziou do pai, Toul duvidou dos próprios sentimentos naquele momento.
                Jekita, estava irada como seu primo, mas procurava manter a calma e a atitude de seu tio desconcertou-a tanto quanto seu primo.
                O taverneiro indiferente as agressões morais provenientes de todos na aldeia se moveu para sua pequena embarcação e retirou dela o gibão e o cinturão. Segurando ambos no colo para que todos pudessem ver, ele falou com uma voz vazia desprovida de emoções.
                - O cinturão é seu Jekita e o Gibão é seu meu filho, eles foram feitos com a pele do urso derrotado por vocês. Sinto muito por tudo isso.
                Depositando cuidadosamente nos braços dos jovens desconcertados, o homem se virou calmamente e se afastou abrindo caminho como se estivesse passando em grama baixa.
                Toul não conseguia tirar os olhos de seu gibão, ele não conseguia acreditar na beleza da bela armadura. Repentinamente como que acordando de um sonho ele meneou a cabeça e viu que se pai desaparecia entre as cabanas de Taporan. Percebendo seu erro e horrivelmente inconformado ele tentou alcançar seu pai, mas foi impedido pela multidão que ovacionava a armadura e insistia em ver o jovem usa-la.
                Ciente de que eles não iriam deixa-lo em paz o jovem vestiu rapidamente o abrigo para que pudesse sair a procura de seu pai. Mas foi no momento em que a armadura se fez presente no corpo do jovem que ele percebeu o quão especial ela era.
                O gibão se moldou ao corpo atlético de Toul como se fosse uma luva em uma mão. A sensação de usar a armadura era estasiante, ele sentia um vigor crescente que o deixava atordoamente bem, a sensação era absolutamente divina. Ele ouvira quando jovem sobre os dons de seu pai como tanoeiro mas não conseguia acreditar na habilidade do taverneiro agora que a experimentava.
                Completamente maravilhada com a beleza de Espírito de Urso, Jekita usou seu cinturão de múltiplos bolsos e como a maioria do povoado não sentiu absolutamente nada de diferente, muito menos o cinturão possuía a beleza encantadora do gibão de Toul. Por fim Jekita deu de ombros, afinal ela era apenas a sobrinha era óbvio pra ela que seu tio apenas lhe dera um presente de consolação.
                Mas quando o choque inicial da magnitude de seus presentes passou ambos os jovens abriram caminho entre a multidão e varreram Taporan em busca do taverneiro, mas o antigo guerreiro não encontrava-se mais a vista.
                Inconformado com seu comportamento infantil  e sentindo-se tão mal quanto nunca mais iria sentir-se na vida Toul correu pela aldeia e deu de cara com a porta fechada de sua cabana.
                - Pai! Você esta ai dentro? Por favor abra a porta. Me desculpe, eu não sabia. – A voz de Toul estava cheia de arrependimento, ele começava a lacrimejar e estava visivelmente abalado.
                - Tio, por favor abra, nós precisamos lhe falar. – A prima juntou-se aos apelos do jovem.
                Durante minutos eles ficaram em uma cena lamentável se humilhando e gritando pelo nome do taverneiro, até que uma voz vinda das costas deles por entre a multidão os interrompeu.
                - Bem eu abriria a porta com prazer depois de uma cena como estas, mas infelizmente fui buscar algumas coisas minhas na Casa do Lobo, portanto ainda não estou dentro de casa. Na verdade se ambos olharem bem a porta encontra-se trancada por fora e nossa tranca encontra-se escondida no lugar de sempre.
                A voz de Jurimik, soou incrivelmente divertida e ele estava visivelmente comovido com a demonstração de arrependimento dos jovens primos. Aproximando-se deles ele os abraçou a ambos constrangendo-os perante a multidão que ovacionou.

                               *             *             *             *